domingo, 7 de junho de 2015

OTYOTO (o altar da família) [Paula Tavares]



Composition II (Still Life) – Theo van doensburg



Todas as mães da casa redonda disseram
Guarda os tesouros
Os telhados de vidro
O silêncio
Cuida do corpo da casa e das tranças
Desfaz-te em leite
Para a fome das crianças

Ninguém falou de dor
Abandono solidão
A loucura é palavra interdita
Ficam os sonhos a voar
Pássaros na boca do vento.

PAULA TAVARES [1952 | Angola] Nasceu em Huíla, sul de Angola. É historiadora com doutoramento em história e antropologia. Obras: Ritos de passagem [poesia, 1985], O sangue da buganvília [crônicas, 1998], O lago da lua [poesia, 1999], Dizes-me coisas amargas como os frutos [poesia, 2001], Ex-votos [poesia, 2003], A cabeça de Salomé [crônicas, 2004], Os olhos do homem que chorava no rio [contos, 2005- em parceria com Jorge Marmelo], Manual para amantes despudorados [poesia, 2007], Como veias finas na terra [poesia, 2010]. Amargos como os frutos: poesia reunida, publicado no Brasil em 2011 [editora Pallas], reúne sua obra poética até então.





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